Papai também chora
História do dia
Contando para o Gustavo, 2 anos 7 meses:
Eu choro muito, mas desabo pouco, vou contar 2 vezes em que desabei, e foram inesquecíveis em sentidos diferentes:
1 Durante velório da minha avó ( sua bisa que infelizmente não deu tempo de você conhecer) e 2 foi a hora que você e sua mãe chegaram ao quarto na maternidade.
No velório eu não conseguia ficar em pé, chorei muito, pensando em todas as histórias que ouvi, todo carinho e crescimento que tive com a sabedoria da D. Luzia, adquirida pela vida feita com muito esforço. Em um próximo post eu te conto uma história dela.
Chegada hora em que sairia o caixão pela porta lateral na igreja Metodista de São José dos Campos, eu senti uma força inabalável, me deixei de prontidão para ajudar a carregar, descer as escadas eu havia ficado mais de 1h chorando sem parar. Quando foi preciso, é preciso se recompor.
Essa situação me marcou muito. Não sei bem ao certo o porquê, mas eu tenho esse momento como um dos mais marcantes.
Falando em se recompor, o segundo desabamento do qual eu gostaria de compartilhar, aconteceu depois do seu parto. Inicialmente eu fiquei nervoso mas consegui me manter estabilizado, firme, no fundo da minha mente estava o medo do que me foi dito por muitas pessoas, de pais que desmaiaram durante o nascimento dos filhos e eu não queria perder 1 segundo que fosse.
Era um período de leve flexibilidade do lockdown da pandemia de COVID-19, somente duas pessoas puderam estar presencialmente no vidro do lado de fora da sala de parto, eu não quis ficar responsável por filmar, não queria nada na minha frente que atrapalhasse a experiência. Eu queria estar 100% presente, atento a você e a sua mãe.
Deu certo. Foi sensacional e indescritível.
Vocês foram excelentes, e depois que nascem os bebês ficam pertinho das mamães por algumas horas, e eu os aguardei no quarto da maternidade, tudo muito alegre e feliz. A vovó Coca e a vovó Deise já tinham ido embora, eu estava lendo um livro pacientemente.
Vocês chegaram.
A enfermeira abriu a porta, checou algumas coisas, e saiu.
Nesse momento a única reação que eu tive foi debruçar na maca, segurando as mãos da sua mãe, cabeça entre os dois braços e quase alaguei o quarto, de um choro tão forte e incontrolável, que mesmo agora relembrando, tive que respirar mais fundo.
Todas vezes que desabei me ensinaram muito mais do que todas as que "só" chorei. Aprendi que essas coisas fazem parte do que voce vai se tornar. Aprendi que deixar a emoção te levar é capaz de chegar a lugares ainda nao explorados. A força reconstrói depois do desabamento.
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Tenho uma história do dia em que eu não chorei, talvez eu conte um dia.
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links do dia:
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